sexta-feira, 18 de março de 2011

Resenha do texto: Assistente Social e tecnologias de informação

                      

                       No artigo: Assistente Social e tecnologias de informação; o assistente social e professor da Universidade Estadual de Londrina, Márcio Antunes da Silva, faz uma análise sobre as tecnologias de informação e como estas são aplicadas aos processos de trabalho dos assistentes sociais, exigindo desses profissionais o domínio de tais técnicas e sua utilização de maneira crítica e reflexiva.
Para explicar o que são as tecnologias de informação e como elas estão inseridas nos processos de trabalho, Silva parte da análise de dois autores, Castells e Lojkine, e tem como aporte teórico-filosófico a teoria social de Marx.
Silva explica que as tecnologias da informação associadas aos processos de trabalho do Serviço Social, não são isoladas das condições sócio-históricas, assim, o assistente social ressalta que essas tecnologias fazem parte das forças produtivas sociais. Ao citar Marx, Silva enfatiza que essas forças produtivas se constituem no elemento dinâmico da estrutura econômica, ou seja, tais forças impulsionam o progresso da sociedade, independente da vontade individual dos homens. Além disso, segundo o autor, o desenvolvimento das forças produtivas resulta no surgimento de novos produtos, como por exemplo a informática e a telemática, que não existiriam sem o anterior desenvolvimento da energia elétrica e do telefone. Para Silva, tecnologias como a informática e a telemática são apenas disseminadas e popularizadas, a partir do grau de importância que representam nas relações capitalistas vigentes na sociedade.
Desta forma, o assistente social expõe que para o autor Lojkine, no atual estágio do modo de produção capitalista, ao se fazer uma análise das tecnologias de informação, é preciso compreender que para o capitalismo, a informação é sinônimo de mercadoria.
Silva também reflete o fato de que as tecnologias da informação auxiliam no aumento da produtividade, mas em contrapartida, a utilização dessas tecnologias resulta em um alto índice de desemprego, já que vários postos presentes no mercado de trabalho foram substituídos pela disseminação de tecnologias da informação, deixando um grande número de trabalhadores à mercê da subcontratação ou do mercado informal.
Conforme Silva, essas transformações no mercado de trabalho, provocam mudanças também no processo de reprodução das forças de trabalho “engolindo” os trabalhadores que não se adaptam a essas transformações. Ao citar Colmán Duarte, Silva explica que a chamada revolução tecnológica gera mudanças nas profissões, nos papéis de grupos profissionais, podendo até mesmo criar novas profissões e fazer com que outras desaparecem, percam sua importância na sociedade.
No que tange ao Serviço Social, Silva explicita que as tecnologias da informação podem ser caracterizadas como ferramentas que subsidiam os processos de trabalho dos assistentes sociais, porém, na maioria das vezes, estes profissionais limitam-se apenas em operacionalizar as tecnologias de informação, sem fazer uma reflexão acerca de suas condições e objetivos. Apesar disso, de acordo com o autor, a utilização das tecnologias de informação pode contribuir para a ampliação das condições políticas e tecnológicas do Serviço Social, o desafio posto à profissão é o de trazer para o debate, as concepções sobre a natureza e o significado da globalização, principalmente no que diz respeito à políticas públicas e sociais, na atual conjuntura de nosso país.
Silva também explica que as tecnologias da informação não são ferramentas neutras, pois existe um significado, uma intencionalidade em sua aplicação, que refletem prioridades políticas, orientações dos centros de poder.
Ao finalizar o artigo, Silva explicita que não podemos apenas considerar a aplicação das tecnologias de informação a partir de consequências negativas, já que tais tecnologias trouxeram vários benefícios à prática profissional dos assistentes sociais, como pro exemplo, a atualização de dados dos usuários dos serviços; a utilização de programas que cruzam os dados de atendimento com indicadores sociais, facilitando a gestão, o planejamento e avaliação dos serviços sociais.
De acordo com Silva, a chamada Revolução Informacional situa o Serviço Social em um contexto de reconfiguração da identidade profissional, já que o capitalismo, a cada momento, faz surgir novas expressões da questão social, fazendo com que o assistente social pense que a simples aplicação das tecnologias da informação podem “resolver” essas “questões”, no entanto, o enfrentamento das expressões da questão social não se dá a nível tecnológico, mas no âmbito sócio-histórico, por isso, é de suma importância que os profissionais de Serviço Social participem do processo de construção, análise e reflexão das tecnologias de informação e não se limitem a meros operadores de sistemas e programas já construídos. Para tanto, segundo o autor, é necessário ampliar o debate temático, o conhecimento a respeito das tecnologias de informação no âmbito da academia e nos processos de trabalho do assistente social.
Através da leitura deste artigo, pode-se compreender a contribuição das tecnologias da informação nos processos de trabalho dos assistentes sociais, no entanto, estes profissionais devem utilizar tais tecnologias de maneira crítica, reflexiva e devem participar de seus processos de construção e análise. A nosso ver, este artigo é de grande relevância para os profissionais e acadêmicos de Serviço Social, pois explica de maneira sucinta e muito compreensível a inserção das tecnologias da informação no exercício profissional do assistente social.

Fonte: SILVA, Márcio Antunes da. Assistente social e tecnologias de informação. Serviço Social em revista. Londrina, v. 6, n. 1, 2003.